sexta-feira, 29 de junho de 2012

Utilização da bicicleta - Quanto posso poupar?

A utilização da bicicleta como um meio alternativo ou complementar de transporte permite - para além de uma vida mais saudável e agradável - poupanças significativas em termos financeiros.

Veja-se, por exemplo, a minha própria situação. Vivendo a cerca de 55 km do meu emprego, e tendo garagem tanto em casa como no escritório, ia todos os dias para o trabalho de automóvel. Demorava entre 45 minutos e 1h15, dependendo do trânsito.

Na altura, o custo de uma viagem de ida e volta (incluindo portagens, gasóleo, custo relativo das revisões e mudanças de pneus e o desgaste do carro) era de cerca de € 17,60. Senão, vejamos:
- PORTAGENS:
              - portagens - € 2,35 x 2 = € 4,70;
- COMBUSTÍVEL:
              - consumo médio do automóvel - 6,5 litros por cada 100 kms;
              - custo do litro de gasóleo - € 1,45
              - custo de cada viagem diária - (€ 1,45 x 6,5) : 100 x 110 = € 10,37
- PNEUS:
              - quilometragem média de cada conjunto de 4 pneus - 50.000 km;
              - custo de cada conjunto de 4 pneus - € 400,00;
              - custo de cada km - (€ 400,00 : 50.000) =  € 0,008;
              - custo de cada viagem diária - € 0,88;
 - QUOTA-PARTE RELATIVA A REVISÃO DO AUTOMÓVEL:
              - periodicidade das revisões - 30.000 km;
              - valor médio das revisões - € 450,00;
              - custo de cada km - (€ 450,00 : 30.000) = € 0,015;
              - custo de cada viagem diária - € 1,65.

Note-se que nestes cálculos simples não considerei qualquer valor relativo ao seguro anual nem ao (eventual) pagamento da própria aquisição do automóvel, pois para mim este continua a ser imprescindível.

No entanto, para quem tenha a hipótese de dispensar o automóvel, poderá/deverá acrescer àquele valor poupado a desvalorização do próprio automóvel decorrente do com o simples passar do tempo e da quilometragem efectuada com o mesmo.

Tendo por base aqueles valores que acima deixei identificados, e assumindo que a maioria dos meses têm 22 dias úteis, o gasto que eu realizava por ir de automóvel para o trabalho era de € 374,00 por mês. Isso significa que num ano, com um mês de férias, eu gastaria € 4.114,00 (€ 374,00 x 11).

Ao ir de bicicleta e autocarro para o trabalho passei a demorar sempre 1 hora, mas não poupei a totalidade dos referidos € 374,00 por mês: há que contabilizar o passe e (eventualmente) a própria bicicleta.


Assim, consideremos os seguintes valores diários:
- PASSE:
           - valor do passe mensal - € 132,30;
- BICICLETA:
           - AQUISIÇÃO:
           - custo de aquisição da bicicleta - € 320,00;
           - quilometragem esperada - 10.000 km (pelo menos);
           - valor máximo a considerar por km - (€ 320 : 10.000) = € 0,032;
           - distância diária média percorrida de bicicleta - 8 km;
           - custo de cada viagem diária em termos de desgaste da bicicleta - € 0,25;
           - MANUTENÇÃO:
           - gastos (dados empíricos) ao fim de 1.000 kms percorridos: 1 pneu - € 25,00
           - custo médio de cada km em termos de manutenção - (€ 25,00 : 1.000) = € 0,025;
           - custo de cada viagem diária em termos de manutenção - € 0,20;
O valor mensal da utilização da bicicleta e do autocarro é de € 142,20, pois:
 ((€ 0,25 + € 0,20) x 22) + € 132,30)

Em conclusão, a poupança mensal é de € 231,60!

A este valor ainda poderia acrescer o do ginásio o qual, por desnecessidade óbvia, deixou de fazer sentido. Ora, sabendo que os ginásios podem custar cerca de € 60,00 por mês, a poupança global pode ser de tal maneira significativa que o investimento feito na bicicleta é praticamente todo recuperado num único mês.

Aqui fica o repto: tendo compreendido os cálculos que acima deixei explicados, quanto é que a leitora ou o leitor poderiam poupar?

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Bicicletas reclinadas...

As bicicletas de que mais gosto são as reclinadas: são mais confortáveis, mais aerodinâmicas e permitem fazer grandes distâncias com pouco mal estar (pulsos, ombros, pescoço, etc.).

As bicicletas reclinadas são imensamente variadas e praticamente impossíveis de classificar. 

Pelas características distintivas do quadro, do comportamento, do peso e dos fins a que se destinam são normalmente "classificadas" em dois tipos: com uma distância entre eixos curta (short wheelbase, ou SWB) e com uma grande distância entre eixos (long wheelbase, ou LWB).


Um exemplo de uma bicicleta reclinada LWB, a Sun EZ

As reclinadas LWB são normalmente mais confortáveis do que as SWB (e incomparavelmente mais confortáveis do que qualquer bicicleta comum) e mais fáceis de aprender a "conduzir", porque a maior distância entre as rodas as torna mais estáveis e permite uma maior absorção das irregularidades do terreno e porque têm os pedais a um nível inferior ao do assento e bastante mais próximo do solo.

 

As reclinadas SWB têm uma maior curva de aprendizagem mais longa, são menos práticas e mais nervosas mas compensam com uma velocidade mais elevada, quer nas subidas, quer em terreno plano. Nas descidas são ambas, por via de regra, muito mais rápidas do que uma bicicleta comum.

Um exemplo de uma bicicleta reclinada SWB, a Baccheta Strada

Qualquer tipo de bicicleta reclinada permite, pela sua posição, desfrutar amplamente a paisagem e, consequentemente o passeio (ou corrida): a posição é ergonómica - a cabeça está direita em vez de ir a fitar a roda da frente da própria bicicleta ou um ou dois metros mais à frente; o peso do corpo é distribuído por todo o assento - não se limita a sobrecarregar um triângulo de pouco mais de 15 cm2; e os braços apenas guiam - não suportam o peso de qualquer parte do corpo.

Apesar de os músculos utilizados numa bicicleta reclinada não serem os mesmos que utilizamos nas bicicletas mais comuns (de quadro em diamante) e de, por isso mesmo, a transição de uma bicicleta comum para uma reclinada não implicar geralmente um aumento da velocidade média do ciclista, a mudança de uma bicicleta para outra é como aprender a andar de bicicleta outra vez! Só que é muito mais divertido!


Na verdade eu - que nunca tinha ultrapassado a barreira dos 100km numa única volta, em qualquer tipo de bicicleta - fiz em Janeiro de 2012 uma prova Audace com a Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB), com cerca de 128km de percurso, e consegui chegar ao fim sem cansaço de maior e, mais importante, sem qualquer tipo de dor nos pulsos, pescoço, ombros, ou outras partes do corpo geralmente massacradas com o selim. Em termos de tempo, fiquei a meio da tabela.

 A minha bicicleta está lá atrás, por detrás dos dois ciclistas.

De partida, no mesmo (único) posto de controlo.


Nesta altura, a bicicleta tinha rodas de 26" (rodas típicas de montanha, ou BTT), uma bagageira, levei muita tralha comigo e o conjunto pesava cerca de 19,5kg, com as ferramentas e tudo!

Essa bicicleta reclinada, que tenho estado a (tentar) desenvolver, pode ser considerada como uma SWB e, posso atestar, é possível rolar com estas bicicletas, com um esforço moderado (~150-160W), a cerca de 33km/h em terreno plano. Em sprint só me foi possível rodar a 46km/h, mas ainda tenho de fazer muitos quilómetros até ter a musculatura toda desenvolvida.

Confesso que me divirto ao ultrapassar alguns ciclistas que vão nas suas bicicletas de 9kg e que não conseguem acompanhar o ritmo... Se eles soubessem que não é do ciclista, mas da bicicleta!

Entretanto, aquela bicicleta já evoluiu e está agora na sua versão 2.1, mais leve, mais aerodinâmica e, quanto a mim, mais bonita.

 Com rodas de estrada (700C), mas ainda com a transmissão de BTT, 
para permitir uma maior amplitude de mudanças
(ainda me falta força nos músculos certos)

 Um exemplo da posição em pleno andamento.

O peso não está tão baixo como eu gostaria (pesa 16,3 kg com os pedais), mas ainda é um protótipo e tem muitas peças que não serão as definitivas e que se destinam a aperfeiçoar o conceito e as soluções (work in progress).

Com todos os acessórios montados (apoio para luz à frente, luzes à frente e atrás, suporte de garrafa, gps e ciclocomputador e seus apoios, protecção de corrente quase integral, espelho retrovisor, e um saco atrás do banco), não está particularmente pesada, com cerca de 17,2 kg.

Se pensarmos bem, para uma primeira experiência de bicicleta reclinada sem qualquer peça em carbono, ou alumínio (à excepção do garfo da roda da frente, que é em alumínio) não está excessivamente pesada: a Nazca Gaucho, que é uma bicicleta conceituada, pesa cerca de 15,5 kg em ordem de marcha. Ou seja, pesa menos 0,8kg do que a minha.

Do meu conhecimento, em Lisboa, a Cenas a Pedal é a única empresa que aluga uma bicicleta reclinada e que as tem à venda. Mas podem sempre procurar encontrar outras empresas e experimentar outras bicicletas reclinadas, algo que os mais versados nas bicicletas reclinadas sempre aconselham nos seus blogs e vídeos.

Deixo a provocação: assim que começarem a andar de reclinada não vão voltar atrás (once you go 'bent you'll never go back). Eu já não penso em comprar uma bicicleta de estrada.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Longtail Cargo Bikes

Para além das bicicletas de carga com uma caixa à frente do ciclista, existem outras em que a "carga" é transportada atrás daquele: são as chamadas longtails.

Neste âmbito existem bicicletas que são construídas de raiz como bicicletas de carga como a Surly Big Dummy (ou como Radish Trucker, da Xtracycle, as Kona Ute e Kona Minute, a Madsen, a Yuba Mundo).

 Surly Big Dummy

Os vários relatos que podemos encontrar on-line, bem como os relatos de pessoas amigas, referem quase invariavelmente que uma bicicleta deste género praticamente substitui o automóvel: torna-se na Minivan da família.

Aqui estão alguns exemplos da versatilidade das bicicletas de carga de "cauda longa":


Se já tivermos uma bicicleta e quisermos torná-la numa verdadeira bicicleta de carga, podemos optar por comprar um Xtracycle FreeRadical que se adapta ao quadro da nossa bicicleta.

Estes são alguns exemplos de como pode ficar a nossa bicicleta depois da aplicação do FreeRadical:
 Imagem retirada do website da Xtracycle, com a devida autorização


O vídeo seguinte, do fabricante, demonstra em que consiste a adaptação do FreeRadical à bicicleta:

Há ainda alguns vídeos que me parecem muito interessantes e que vale a pena serem partilhados - seguem abaixo.

Este FreeRadical não é dos mais recentes e não tem o descanso lateral que é, actualmente, um acessório fornecido com o kit básico. Para além disso, a bicicleta tem assistência eléctrica. Mas demonstra uma utilização saudável e bem disposta da bicicleta para levar as crianças à escola (um tema muito apreciado por mim).


Este vídeo demonstra a versatilidade da utilização da Xtracycle (em Portugal). Fica claro que apesar de ser uma bicicleta de carga, é bastante prática e é passível de ser transportada no comboio (pelo menos no da linha de Cascais). Os intervenientes do vídeo são pessoas conhecidas, o Bruno Santos e a Ana Pereira da Cenas a Pedal. Mas não é por isso que partilho aqui o vídeo: partilho-o porque acentua a diferença entre este tipo de solução e as bicicletas de carga como a Gazzelle Cabby ou a Bakfiets Cargo Bike, que muito dificilmente poderiam ser transportadas num comboio...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Bicicletas utilitárias de carga - Cabby e CargoBike

É comum dizer que há bicicletas para todos os gostos, mas estas bicicletas são mesmo diferentes... Permitem-nos fazer a nossa vida, mesmo com crianças, em Portugal (e não somente "lá fora") dispensando o automóvel para as actividades citadinas diárias!

Estas duas que aqui partilho são bicicletas chamadas de carga (por estarem preparadas para transportar grandes pesos). As que refiro abaixo permitem transportar as crianças e as compras (e outras coisas) à frente do ciclista.

Mas há outras em que a carga segue imediatamente atrás do ciclista. Este tipo de bicicleta costuma ser chamado de "cauda longa" (longtail). Tenciono fazer uma entrada para as longtail.


A Gazelle Cabby é conhecida por ser uma bicicleta de carga estreita, prática e leve (com 38,4 kg).

É verdade que não é propriamente uma bicicleta leve. Mas se considerarmos que tem a capacidade para transportar 200 kg (com o peso da própria bicicleta incluída), e de transportar no cesto da frente até 75 kg, justifica-se o reforço estrutural do quadro (que ajuda àquele peso de 38 kg).


A Bakfiets CargoBike é, talvez, a bicicleta de carga mais conhecida, pelo seu aspecto rústico e resistente.
 

Em termos de capacidade de carga, é superior à Cabby: 80 kg na caixa da frente, 50 kg no porta bagagens (atrás) e ainda, o peso do condutor e o da própria bicicleta, que pesa 44 kg. Tudo junto, poderá chegar aos 250 kg.

 Aqui está um exemplo da versatilidade desta bicicleta:



Há outras bicicletas deste tipo, como a Bullitt.





Alguns artigos interessantes sobre a utilização da bicicleta como um meio de transporte

Estudos disponibilizados pelo Instituto Alemão de Assuntos Urbanos (Ministério Federal do Transporte, Construção e Desenvolvimento Alemão), escritos em Inglês, que se debruçam sobre a utilização da bicicleta no dia-a-dia, na ida às compras, nas deslocações para o trabalho, em turismo activo, etc. Experimentem introduzir as palavras "cycling bicycle" no campo da procura, como nesta imagem:



Há, inclusivamente, estudos sobre o impacto da utilização da bicicleta na economia local, nas emissões de CO2 e na produtividade dos trabalhadores (pois diminui em muito o absentismo).

http://www.nationaler-radverkehrsplan.de/en/transferstelle/